Como fazer uma silagem de alta qualidade

Especialista da KWS Sementes deu exemplos do bom desempenho de uma silagem de alta energia

A alimentação é o componente mais importante no custo de produção de um litro de leite e a qualidade do volumoso ofertado é de vital importância na viabilidade do processo produtivo. O engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia e gerente de Produto Silagem da KWS Sementes, Dimas Cardoso, tratou sobre o assunto em uma live. Ele explicou que a produção de uma silagem de alta energia ajuda a reduzir custos. “O que mais pesa no leite hoje é o concentrado. Com milho e soja em alta o concentrado já está representando cerca de 38% do custo total da produção. Quem não busca reduzir o nível de milho na dieta já está em 44% do custo e na atividade leiteira o ideal é não passar de 50% porque há gastos que não podem ser controlados como mão-de-obra, energia, genética. O que está na mão do produtor e que ele pode controlar é a silagem, para ter maior performance com menos”, diz. Com esse comentário o especialista citou outros motivos para fazer uma silagem de alta energia.

Com a intensificação da atividade pecuária, automaticamente vem demandando mais produção de milho para silagem para tirar a máxima capacidade de leite por hectare.

Por isso, além do custo, o produtor de leite deve observar:
– Capacitação da equipe: qualquer erro na execução do processo pode gerar silagem ruim;
– Segurança alimentar: uma vez que coloca os animais confinados é importante ofertar alimento de alta qualidade;
– Saúde animal – bovinos que ruminam mais têm melhor condição reprodutiva. Na falta de fibras na dieta a performance dos animais fica comprometida;
– Processo 100% mecanizado – desde plantio, colheita, fabricação e armazenagem;
– Produzir na 1ª e 2ª safra – hoje é possível produzir silagem o ano todo.

Veja no gráfico produzido pelo professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Marcos Pereira, sobre a composição da silagem.

De 32 a 38% de matéria seca é a janela ideal de colheita para atingir uma boa silagem, que provoca boa fermentação e digestibilidade de amido no gado. A composição média é em suma energia e fibra: 40% amido e 40% fibra. A silagem é complementada com uma média de 8% proteína, 3% extrato etéreo e 4% minerais. “Da lavoura até o momento que se vai fornecer a silagem ao animal é normal ter uma perda de 15% a 20%. Isso tem que estar na conta do produtor na hora de fazer o planejamento”, aponta Cardoso. 

 

Culturas que podem melhorar a produção de silagem

O pesquisador ressalta que a baixa matéria orgânica no solo gera compactação e pode exigir intervenção de máquinas como trator e escarificador, além de condição de umidade ideal. Isso pode resultar em baixa qualidade de milho e acamamento.

Para resolver pode-se usar uma cultura de sucessão que produza palhada e raiz. Cardoso cita alguns bons exemplos:
– Brachiaria: produz até 14 toneladas de palha e raiz e 5kg de nitrogênio por tonelada de palha além de agregar ao sistema e 50kg potássio hectare ano;
– Sorgo granífero: além de ser tolerante à seca, rende cerca de 8 toneladas de palha e raiz;
– Milheto: rende de 30 a 35 sacas de grãos por hectare, 4,5 toneladas de palha e 1,5 toneladas de raízes;
– Trigo forrageiro: 2 toneladas de raízes e soca;
– Aveia, azevém e cevada: são 4,4 toneladas de palha e 1,3 toneladas de raízes.

Um experimento realizado em 2019 pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), no município mineiro de Cajuri, mostrou como a palhada de Brachiaria Ruziziensis refletiu na produção de silagem. As condições incluíram  29 dias de seca em janeiro e temperatura média 4 graus acima.  O resultado foi de 2,3% a mais de silagem e 4,5 mil kg de leite por hectare. “Nesse ensaio o número era pra ser até maior porque quando removida a cobertura, as raízes da brachiaria ficaram mas de qualquer forma mostra o efeito da cobertura em  segurar umidade, filtrar nutrientes e diminuir compactação do solo”, finaliza o especiliasta. 

Márcio Brito

Designer gráfico DaQui agência Digital e colaborador Mundial fm 91.3

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