Escassez de oferta entre abril e junho pode levar milho a patamares recordes, projeta FCStone
27/01/2020 00:24 em Agronegócio

Para acompanhar o atual cenário do mercado do milho, conversamos com Étore Baroni - Consultor em Gerenciamento de Riscos - INTL FCStone, que destaca que 2019 foi um excelente ano para o setor, principalmente quando se fala em produção, preços e fundamentos. 

De acordo com o consultor, vários fatores contribuíram para que o ano de 2019 terminasse de maneira positiva para o produtor de milho, entre eles a alta produção, alta exportação e o consumo interno alto devido também a peste suína que atingiu de maneira expressiva a China.

Apesar dos números serem positivos, ele destaca que o estoque entre 2019 e 2020 é relativamente baixo com o consumo interno em alta e o atraso na plantação do milho safrinha em decorrência de problemas climáticos enfrentados sobretudo no Paraná e no Mato Grosso do Sul. "O estoque tem que chegar até a entrada safrinha, que na nossa visão a gente vai ter um volume maior de milho a partir de 15 de junho, uma vez que nós temos a soja um pouco atrasada", afirma. 

Quanto aos preços, ele destaca que os níveis ainda nãio atingiram os valores de 2016, mas destaca que a produção no ano passado foi muito maior quando comparada com três anos atrás. De acordo com Étore, o produtor continuará encontrando bons níveis de preços em 2020 e que a exportação deste ano pode ficar entre 35 e 40 milhões de toneladas, além do consumo que deve continuar em alta. 

Mesmo com as expectativas positivas para os preços, o consultor acredita que o mercado poderá ter dias calmos no próximo mês, podendo voltar ver alta nos preços entre o final de abril e o começo de junho, em função da janela que será ser estendida neste ano. "O mercado pode acalmar e depois ele tem uma retomada de alta a partir do final de abril, o período que a gente chega com pouca disponibilidade de milho", explica.

O analista acredita ainda que a partir de junho o cenário será completamente diferente quando comparado com o primeiro semestre. "Nós podemos ver um mercado totalmente diferente no segundo semestre. Nós podemos ter um mercado do primeiro semestre muito alto e com safrinha normal, produção normal, a partir de junho a gente pode ver os preços voltando a cair bastante forte no interior", explica. 

Apesar dos preços mais baixos, Étero destaca que os valores ainda serão bons para o produtor. Ainda de acordo com o analista, os preços só ficariam mais altos, caso aconteça uma quebra de produção na safrinha em decorrência de problemas climáticos, por exemplo. Ainda de acordo com o consultor, no momento todo o setor trabalha visando um clima dentro da normalidade, o que não indicaria a quebra na produtividade. 

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