ENTREVISTA: ZECA ALIPIO – VICE-PRESIDENTE ANDATERRA
04/02/2020 14:09 em Agronegócio

Ø    Zeca Alípio Fale pra nós um pouco sobre a Andaterra. Qual a finalidade e quais os trabalhos realizados?

Zeca: A Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra – Andaterra tem caráter de abrangência Nacional, atua com foco principal na área jurídica e política de defesa dos produtores. Estamos muito presentes em Brasília, encabeçamos o movimento Brasil Verde Amarelo em apoio às reformas do governo, trabalhando esta via política, estamos tendo uma luta árdua frente ao Funrural junto com as outras entidades, criamos o grupo Brasil Verde Amarelo e temos a adesão de mais de 70 instituições do agro do Brasil todos. Apoiando o movimento e com isso temos buscado, alem da solução do passivo do Funrural onde temos várias ações em andamento e trabalhamos muito firme, em outra frente a pedidos dos agricultores e associados à questão do endividamento rural. O absurdo que os bancos vêm fazendo, não respeitando as normas e resoluções que emitidas pelo BNDES, as instruções do Banco Central e o próprio manual do crédito rural.

A nossa região sofreu muito com a seca e estiagem, mas, aqui pouca gente conseguiu prorrogar suas dívidas, mesmo atendendo as instruções e de acordo com manual do crédito rural ou pelas resoluções. Estas mudanças foram ações que batalhamos muito em Brasília e conseguimos que fossem publicadas pelo BNDS e BC.

De uma maneira geral as Instituições financeiras não estão obedecendo, tivemos a 15 dias passados, um caso em que Banco ter contratado seguranças armados pra fazer arresto de máquinas em propriedades rurais de produtores de Cocalinhos no Mato Grosso.

 

Ø    Em Cocalinhos, que acompanhamos no Grupo Brasil Verde Amarelo, ficou evidente o mau trato recebido pelo Produtor que luta pra sustentar a família, gerar emprego e renda para este País, tratado como um Bandido. Conte como foi este caso?

Zeca: Neste Caso tem algumas particularidades que mostram a aberração e prepotência do Banco, o produtor já havia quitado duas parcelas, porém a de 2018 não conseguiu pagar, solicitou na justiça a prorrogação, dizendo que aceitaria qualquer forma de negociação, pedindo que se baseasse no Manual do crédito rural, resolução do BNDS, a própria resolução do BC ou até através da MP Autoria do Deputado Jerônimo Goergena já provada pela Câmara federal, que disponibiliza crédito para o agricultor quitar suas dívidas, mas, nenhuma foi aceita pala instituição. O mais inusitado é como o Banco tratou isso: eles entraram em outra cidade com processo de arresto em segredo de justiça, ou seja, induzindo a justiça do MT ao erro, saindo à decisão eles nomearam alguém pra receber, então vai o oficial de justiça à fazenda com a polícia, o produtor entrega as máquinas, apenas solicita esvaziar o pulverizador, não sendo atendido e pior, a pessoa que estava para receber pelo Banco sacou de uma arma e apontou para o agricultor, tudo isso filmado e registrado. Por fim, saíram da propriedade danificando a máquina, pois, haviam alvores em frente ao portão e eles usaram a máquina como se fosse um trator de esteira, uma colheitadeira nova, mais grave ainda levou os produtos da fazenda ou na verdade furtou o que estava dentro do pulverizador, um assalto a mão armada mandado pelo banco, sem contar que além de cometer um crime ambiental, pois, nós agricultores pra podermos andar com um pulverizador temos que fazer a tríplice lavagem e a documentação toda em dia, o cara vai lá pega a maquina sem se preocupar com nada e sai pelas rodovias. Qual a destinação que deram para o produto? A forma que o produtor foi tratado foi um absurdo.

Agora a Andaterra está tomando as providências e vai apoiar o produtor em todas as estâncias necessárias, já emitimos uma nota de repudio a todos os órgãos envolvidos inclusive a esse Banco e estamos preparando uma ação coletiva, para isso, estamos orçando os preços entre os 3 maiores escritórios especializado no assunto no Brasil, buscando que as instituições sejam obrigadas a cumprir as Resoluções do BNDS, Banco Central e o próprio NCR.

Os nossos filiados vão contar com o apoio da associação a partir deste ano nesse assunto. Até mesmo nossa região que o pessoal ainda não se movimentou pelo endividamento e até dando a impressão que aqui tá tudo bem, pois, até agora não vimos ninguém pressionando as entidades pra fazer alguma coisa. Mas sabemos que essa seca vai nos obrigar a antecipar aos fatos para não acontecer o que vimos no MT.

Os bancos de fábrica encabeçando CNH o DLL já tem tido relatos no Piauí que da mesma forma que o CNH lá no Mato Grosso fez, estão usando aqui no Piauí. Lutamos agora pra que não venha acontecer com nossos produtores os mesmo fatos, uma vez, que tirar o maquinário do agricultor é tirar sua ferramenta de trabalho.

 

Ø    Como esta a atuação da Associação em relação ao Funrural com tem tratado isso?

Zeca: Desde 2017 a Andaterra, após a decisão do TSF vem trabalhando em cima de reverter o passivo que foi criado, entendemos que é uma dívida que não é nossa e não nos pertence, a câmara dos deputados entendeu que seria melhor reconhecer esta dívida e fazer os refis (Recuperação Fiscal), lançaram e não obtiveram nem 2% em adesões a nível Nacional, foram 6 tentativas de adesões e tornada ação fracassada. Até por ser impagável, veja aqueles que por falta de informação aderiram hoje estão com grandes dificuldades para pagar, não conseguem dar andamento a quitação das parcelas, mas eles estão com grande problema por ter reconhecido e confessado esta “dívida” e na assinatura aberto mão de qualquer ação de não pagamento, sofreram uma pressão e não tem como ser revertida.

Os que estão cobertos pelas ações das entidades aqui na Bahia, não tivemos notícias de terem sidos notificados, pois, ainda não transitaram em julgado. A Andaterra vem fazendo a parte dela e segurando os processos, com as defesas, embargos e interpelações, mas, este assunto já é uma parte mais técnica que gostaria que você entrevistasse o Dr. Jefferson da Rocha para dar mais detalhes.

Politicamente em Brasília estamos trabalhando e toda semana temos alguém da entidade lá, buscando soluções políticas, por que, as ações da parte técnica do ano passado foram muito importante em relação á dívida.

Nas questões jurídicas verificadas que com o comando a Andaterra e em parceria com outras entidades o fato de evasão de divisas ficou bem resolvido, não corremos mais o risco de por uma decisão do governo, alguém possa tentar o impeachment do Presidente, o que era dito que se Bolsonaro perdoasse haveria a destituição do cargo, ficou tudo resolvido em acordo com a lei e dentro do ministério da economia, isso claro, depois de várias reuniões, eu mesmo participei de 2 com a economia e 1 com receita.

Área técnica foi a que andou muito ano passado, sendo passivo e com a entrada de 2020, vai cair um ano de contribuição “devida” que de lá trás perdeu efeito, o que isso quer dizer, que mesmo que vá se cobrar a dívida é menos um ano neste débito, desta forma aos poucos estamos levando a batalha, ganhando.

Com a promessa do Presidente na campanha, em que nós fizemos nossa parte o elegendo e estamos apoiando as reformas, esperamos que ele faça a parte dele. Todos nós acreditamos que ele vai se mexer e resolver este problema.

Destacamos também que lá em Brasília contamos com Deputado Jerônimo Goergen que é um guerreiro nosso e tem pedido a participação de outros políticos para todas as demandas do agronegócio.

 

Ø    É importante que o Agricultor tome posse da sua força e comece a usar isso a seu favor, como deve ser feito isso?

Zeca: O produtor deve tomar cuidado com os represtantes que eles têm, nós não podemos mais ficar ouvindo as imposições que vem de cima pra baixo sem ouvir os associados, hoje vemos que as lideranças mandam e fazem o que querem, temos que inverter isso para ter as necessidades nossas levadas de baixo para cima, onde as representações devam trabalhar com aquilo que o agricultor precisa na base.

Por isso, vendo que nós médios e pequenos do agro estamos muito maus representados, não sendo a nossa vontade que está imperando, foi onde Andaterra surgiu, hoje está atuando, trabalhando e diferente deles escutamos o produtor antes de tomar uma decisão.

A partir deste ano vamos instalar unidades da Andaterra em todos os estado produtores da federação, para que a entidade tenha ainda mais representativa dentro de Brasília e respeito dos governantes.

Às vezes não é só o dinheiro que importa, veja bem, já tivemos situações de usamos dinheiro do próprio bolso, pois, quando se faz algum movimento gera gasto em camiseta, faixa e divulgação, para o agricultor ser notado e mostrar estar ativo.

O produtor que não pode ir além da porteira também tem ajudado, mas precisamos transforma esta representação a nível Nacional, para isso vamos abrir o quadro associativo tornar mais acessível a todos, isso tudo com finalidade de fortalecer uma entidade, ela que está buscando realmente defender o produtor com transparência e participação.

Vamos reformular o site para podermos escutar o produtor, hoje na Andaterra tem todos seus sócios agricultores, sabemos quais são as dificuldades, mas precisamos de ideias e modelos novos para podemos fazer melhor o que já fazemos. É para isso é que existe a Associação.

Unidos somos muito fortes, mas o agricultor precisa ter esta consciência que sozinho ficamos como o nosso amigo de Cocalinhos que como uma ovelha solitária se torna uma presa fácil.

Ø    Gostaríamos que você deixasse sua mensagem para nossos ouvintes sobre a importância do Agronegócio e estarmos juntos.

Zeca: Pedimos aos produtores que olhem para quem realmente está te defendendo e “juntar o produtor com produtor, os bons com os bons”, neste contexto e tem muitas coisas para acontecerem em 2020 na área tributária, percebemos que estão loucos pra botar a mão em nossos bolsos e nós do agronegócio não temos mais como ajudar o país, já estamos alem do que podíamos fazer, então precisamos estar atento e só com boas representações conseguiremos ter êxito.

Obrigado Carlinhos e Mundial FM por fazer nossa voz chegar aos produtores do Oeste da Bahia e trazer as informações do que está sendo feito e do que podemos fazer pela nossa classe. Sucesso pra você e a equipe da Mundial FM .

 

Fonte: “Terra Nossa” – Carlinhos Pierozan

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