Veja os cuidados para adolescentes com comorbidades na escola

Cerca de 45% de hospitalizações e mortes por covid-19 em menores de 20 anos ocorre nesse grupo; algumas cidades já vacinam

A melhor proteção para adolescentes com comorbidades no volta às aulas é a vacina, ressalta o pediatra infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). Caso não seja possível – apenas algumas cidades do país iniciaram a vacinação para esse grupo, embora o Ministério da Saúde já tenha incluído esses jovens no grupo prioritário -, os cuidados devem ser os mesmos praticados por todos: distanciamento, higiene das mãos e uso de máscara.

“Os adolescentes são capazes de usar máscara melhor e evitar aglomerações, diferentemente de crianças pequenas que compartilham objetivos, daí fica mais difícil a prevenção”, afirma.

“Família com adolescente com comorbidade que se sentir insegura é um direito não mandar o filho para a escola. Também é direito o ensino de qualidade à distância proporcionado para aqueles que não podem e não querem fazer a volta presencial”, acrescenta.

Adolescentes e crianças com comorbidade, deficiência permanente ou privados de liberdade passaram a fazer parte do grupo prioritário de vacinação contra a covid-19 em 29 de julho, conforme publicado no Diário Oficial.

Cidades como Niteroi, no Rio de Janeiro, São Luís, no Maranhão, Campo Grande, no Mato Grosso, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, já estão imunizando adolescentes deste grupo.

As comorbidades elegíveis para a vacina contra a covid-19 em adolescentes são as mesmas consideradas para adultos, como diabetes, doenças cardíacas, doença renal crônica, obesidade mórbida, hipertensão e síndrome de down. “Acrescentam-se síndromes raras e genéticas, como  fibrose sística pulmonar e outras doenças específicas da pediatria”, explica o infectologista.

Vale lembrar que a asma não coloca o adolescente no grupo de risco – apenas a asma grave, mesmo critério usado para adultos.

Assim como os adultos, os adolescentes com comorbidades apresentam mais risco de desenvolver a covid-19 grave. Cerca de 45% das hospitalizações e mortes em menores de 20 anos ocorrem nesse grupo, segundo Kfouri. “Praticamente metade tinha alguma condição crônica”, destaca. “Não há por que um adolescente de 15 anos diabético ou em hemodiálise tenha risco diferente de um adulto de 21 que ja foi vacinado nas comorbidades la atrás. Está mais do que atrasada a imunização para este grupo”, completa.

A imunização de adolescentes saudáveis, por outro lado, pode esperar, na opinião do médico. Deve ser feita apenas quando o esquema vacinal de adultos estiver completo no Brasil. Ele ressalta que menos de 2% das hospitalizações acontecem em menores de 20 anos saudáveis e 0,34% de mortes. “Isso mostra uma desproporção muito grande entre o risco de adolescentes com comorbidades e saudáveis. Não tem sentido vacinar adolescentes saudáveis antes de terminar a vacinação de adultos. Muitos países ricos já começaram a vacinar adolescentes enquanto outros pobres nem vacinaram grupos de risco”.

A vacinação de jovens saudáveis, entre 12 e 17 anos, no país está prevista para iniciar após a imunização com a primeira dose da população com até 18 anos, segundo o Ministério da Saúde.

“Cabe esclarecer que os estados, municípios e DF têm autonomia para definir a campanha de vacinação, de acordo com as demandas locais. Contudo, a pasta recomenda que os entes federados sigam à risca o que foi definido no PNO [Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19] e realizem a busca ativa de indivíduos que ainda não completaram o esquema vacinal”, divulgou a pasta por meio de nota.

Reação à vacina é rara

Atualmente, apenas a vacina da Pfizer é aprovada para uso entre 12 e 17 anos no país. Casos de miocardite, uma inflamação no coração, foi relatada como reação adversa rara em jovens em Israel e nos Estados Unidos. O risco estabelecido por esses países, de acordo com o infectologista, varia de 10 a 60 casos para cada 1 milhão de doses aplicadas.

Kfouri explica que a reação é mais comum em um grupo específico: meninos de 15 a 17 anos na na segunda dose. “É um evento raro e benigno. Não houve óbito”, esclarece.

“Não se sabe ainda qual mecanismo estaria envolvido com essa inflamação no coração. Então, a recomendação é não parar a vacinação, pois os benefícios superam os riscos”, acrescenta.

O Ministério da Saúde divulgou medidas que devem ser adotadas para garantir a segurança em relação à disseminação da covid-10 nas aulas presenciais. Entre elas, as escolas devem oferecer máscaras no período de aula, para garantir que seja trocadas a cada 3 horas, no caso de máscara de tecido, e 4, no caso de cirúrgica; evitar uso de áreas comuns, como bibliotecas, parquinhos, pátios e quadras; optar por prática de atividade física ao ar livre, evitar uso de materiais coletivos e compartilhamento de materiais; realizar refeições nas salas de aula em vez de utilizar o refeitório; suspender o uso de armários compartilhados; orientar que os estudantes levem suas garrafas de água, evitando a utilização de bebedouros, e intensificar a frequência de limpeza e desinfecção das escolas.

Marcio Brito

Marcio Brito

Assessoria | DaQui Agência Digital
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