Carne de laboratório: França rejeita e Singapura aprova

Tecnologia multiplica células de animais para criar proteína animal de bovinos, aves, suínos e pescados

O ministro de agricultura da França, Julien Denormandie, declarou em suas mídias sociais, nesta semana, que é contra carne cultivada a partir de células. No Twitter, ele afirmou que “a carne vem da vida, não de laboratórios”.

O comentário ocorreu poucos dias após Singapura se tornar o primeiro país do mundo a aprovar uma regulamentação para a carne cultivada e autorizar o lançamento comercial para o “frango cultivado” da agtech estadunidense Eat Just.

Já existem diversas iniciativas para isso como a da Rede KFC para nuggetsna Ásia para camarões, da agtech isralense Aleph Farm para carne bovina ou esta outra para peixes.

Artificial

Denormandie retuitou um artigo sobre esta notícia com o seguinte comentário: “Esta é realmente a sociedade que queremos para nossos filhos? Para mim não. Conte comigo para que na França a carne permaneça natural e nunca artificial”.

O comentário foi recebido com polêmica pela Agriculture Cellulaire France (Agricultura Celular da França), associação que visa fomentar o debate em torno da agricultura celular.

A organização respondeu que seria uma “pena” rejeitar desde o início um método de produção inovador que permitiria à França ser competitiva no mercado crescente das proteínas alternativas.

Corrida

Especialistas dizem que a aprovação de Singapura para a carne de laboratório pode desencadear uma “nova corrida espacial” pelo futuro da alimentação.

Em uma declaração ao site especializado Plant Based News, o diretor executivo da GFI (Global Food Institute), Bruce Friedrich, disse prever um “futuro brilhante” para este tipo de tecnologia.

“Enquanto as nações correm para spearar a produção de carne da pecuária industrial, os países que atrasam seus investimentos neste futuro brilhante de alimentos correm o risco de ficar para trás”.

Friedrich opinou que qualquer governo que conseguir livrar-se da necessidade de animais vivos para a produção de carne terá “o direito de se gabar até o fim dos tempos”.

“Frango sem abate”

O governo de Singapura aprovou o “frango sem abate”, a partir de células, da agfoodtech Eat Just, que usará a marca Good Meat. A aprovação exigiu avaliação da Agência de Alimentos de Singapura (SFA) para confiar à empresa um cerificado de segurança alimentar.

O frango de laboratório recebeu a confirmação de que é “seguro e nutritivo para consumo humano” do órgão após um painel de autoridades científicas internacionais, tanto do país asiático, como dos EUA.

O que é “carne cultivada”?

A “carne cultivada” em laboratório é desenvolvida a partir de células-tronco de animais e, portanto, não é vegana. As células são estimuladas inicialmente em um meio de cultura e, em seguida, vão para um biorreator para atingir o desenvolvimento suficiente.

Os argumentos dos defensores da “carne de laboratório” apontam para a eliminação dos abates de animais, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar, tanto em sanidade como em oferta de alimentos. Os opositores defendem a “comida real” feita com sustentabilidade e de maneira natural.

Márcio Brito

Márcio Brito

Designer gráfico DaQui agência Digital e colaborador Mundial fm 91.3

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