Proteína global

Gigantes brasileiras do setor de carnes fortalecem seus negócios mundo afora para seguir crescendo e diminuir riscos diante de uma economia global marcada por incertezas quanto ao futuro

Em qualquer lugar do planeta, as carnes produzidas pelas gigantes brasileiras JBS, Marfrig, Minerva Foods e BRF, entre outros importantes players nacionais, dominam grande parte das opções oferecidas por supermercados e restaurantes. Os números comprovam, de forma incontestável, a força da proteína Made in Brazil mundo afora. Em 2019, com vendas de US$ 7,57 bilhões e crescimento de mais de 14% sobre o ano anterior, o Brasil se consolidou como o maior exportador de proteína animal do planeta. Em volume de produção, o País só ficou atrás dos Estados Unidos. E esses números recordes, ao que tudo indica, serão renovados neste ano.

Em qualquer lugar do planeta, as carnes produzidas pelas gigantes brasileiras JBS, Marfrig, Minerva Foods e BRF, entre outros importantes players nacionais, dominam grande parte das opções oferecidas por supermercados e restaurantes. Os números comprovam, de forma incontestável, a força da proteína Made in Brazil mundo afora. Em 2019, com vendas de US$ 7,57 bilhões e crescimento de mais de 14% sobre o ano anterior, o Brasil se consolidou como o maior exportador de proteína animal do planeta. Em volume de produção, o País só ficou atrás dos Estados Unidos. E esses números recordes, ao que tudo indica, serão renovados neste ano. Embora o mercado esteja sentindo os efeitos das instabilidades geradas pela pandemia do novo coronavírus, as perspectivas de crescimento seguem engordando como nunca. O banco holandês Rabobank, um dos mais especializados em agronegócio, projeta que as exportações brasileiras devem bater novo recorde, com elevação de 10,6% em volume, para 2 milhões de toneladas. No ano passado, o Brasil embarcou 1,8 milhão de toneladas de carne bovina. Em dezembro, a perspectiva do banco era ainda mais otimista e chegava a 2,4 milhões de toneladas. “Informações recentes de que o número de novos casos da Covid-19 na China estão diminuindo, indicam que o controle do vírus está próximo e os embarques devem retomar com mais força”, informou o Rabobank, em relatório. Já a produção deve o aumentar em torno de 3,5% no ano, para 10,4 milhões de toneladas. Para a instituição, as perspectivas do mercado brasileiro para carne bovina são positivas tanto para o mercado externo quanto para o doméstico. “Os níveis de demanda acima da oferta devem manter os preços em níveis altos durante este ano, o que mantém a atratividade da produção”, afirmou o banco.

INCERTEZA A venda de carnes no varejo brasileiro tem oscilado desde o início da pandemia, mas há indícios de que a produção seja recorde em 2020 (Crédito:Giselleflissak)

Internamente, o clima também é de otimismo, alimentado pela alta do dólar e perspectiva de que a demanda por alimentos tende a aumentar. “O consumo no exterior é crescente. Há oportunidades de novos negócios”, afirma Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Na mesma linha, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) calcula que, de janeiro a abril desde ano, foram embarcadas 548.875 toneladas, com receita de US$ 2,4 bilhões – alta de 1% em volume e 19% em faturamento na comparação com o mesmo período de 2019. Para maio, o panorama é ainda mais positivo. A previsão é de embarcar mais de 200 mil toneladas, com a China adquirindo tudo o que pode. E a cadeia produtiva se prepara para superar, com tranquilidade, a receita do ano passado. “Caso a China mantenha seu ritmo de compras, as exportações brasileiras de carne in natura e processada deverão crescer em volume e obter um incremento nas receitas de mais de 10%“, informou, em nota, a Abrafrigo. Embora positivas, as projeções de alta em 2020 têm ignorado as oscilações pontuais. Em janeiro, houve a redução de 22% nas exportações na comparação com dezembro, para 117 mil toneladas, porém, ante ao mesmo mês do ano passado, houve um aumento de 14%. Já em fevereiro, as exportações de carne bovina caíram 5,5% em comparação com janeiro e 4,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, de 115,4 mil toneladas.

O maior mercado consumidor do mundo, os Estados Unidos, endossam as perspectivas positivas para o mercado de carnes, não apenas a de origem bovina. O Brasil deve produzir 10,5 milhões de toneladas de carne vermelha e 4,2 milhões de toneladas de carne suína em 2020, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Se confirmados, os volumes representam, respectivamente, alta de 3,4% e 4,5% ante o produzido no ano passado. O USDA atribui o aumento da produção de proteína bovina à maior produtividade, exportações recordes contínuas e ao fortalecimento do mercado doméstico. Já a perspectiva de incremento na produção de carne suína reflete a forte e constante exportação para a China, a maior demanda doméstica e a estabilidade nos custos de alimentação animal. De acordo com o órgão, a estimativa de crescimento de 2% para a economia brasileira e a expectativa de que as exportações continuem firmes sustentam a projeção de aumento na produção de ambas as proteínas. O órgão prevê também que o país exporte 2,53 milhões de toneladas de carne bovina neste ano, 10% a mais que o comercializado para o exterior em 2019, impulsionado principalmente pela firme demanda de China e Hong Kong. “Em 2020, uma combinação de desvalorização da moeda brasileira e estabilidade nos preços domésticos provavelmente vão manter as exportações brasileiras de carne bovina com preços competitivos no mercado mundial”, destaca o USDA, em relatório.

Depois da Índia, que tem 308,7 milhões de cabeças, o Brasil possui o maior rebanho bovino mundial, de 214,1 milhões

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as exportações de carne bovina vivem o melhor ano da história e podem bater recordes. Somente em abril, os embarques totalizaram 117 mil toneladas, alta de 6,5% em relação ao ano passado. No ano de 2020, as exportações devem superar o recorde de 7,6 bilhões de dólares registrado no ano passado, mesmo com a crise ocasionada pelo novo coronavírus. Um dos motivos principais é o aumento da demanda dos países asiáticos, como a China, que quase dobrou as compras nos primeiros quatro meses do ano. “A China já vinha comprando bastante carne bovina brasileira desde o final do ano passado e, nesse momento de pós-quarentena, os embarques vem se recuperando”, afirma o pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino. A visibilidade da carne brasileira é resultado da combinação de menor oferta no mundo inteiro, promoção do produto pelo Governo Federal e a relação comercial entre o país e a China. Além disso, o cenário é positivo para as demais proteínas brasileiras. Com casos registrados de peste suína africana no país asiático, pode aumentar a demanda por carnes suínas e de frango.

O grande motor da indústria de exportação brasileira de carnes continua sendo a China. As exportações de proteína bovina para lá dobraram em março no confronto com igual período de 2019, enquanto outros mercados relevantes para o Brasil reduziram as compras, já afetados pelo recuo na demanda em meio a medidas de isolamento contra o coronavírus. “Desde agosto de 2019, mais de 30% das vendas de carne bovina do Brasil vão para a China. Agora, estamos ainda mais dependentes dos chineses porque na União Europeia, por exemplo, os lockdowns diminuíram a necessidade de carne importada que iria para o food service”, disse o consultor em gerenciamento de risco especializado em pecuária da INTL FCStone, Caio Toledo. Somente a China respondeu por cerca de 35% das compras, com 51,86 mil toneladas importadas em março, um salto de 108% ante as 24,9 mil toneladas adquiridas um ano antes, apoiado pelo aumento no número de plantas habilitadas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Márcio Brito

Márcio Brito

Designer gráfico DaQui agência Digital e colaborador Mundial fm 91.3

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